Por que realizar pesquisas nesse campo?

Desde o final do século XX, observa-se a deterioração das condições ambientais, da qualidade de vida e das perspectivas de futuro das pessoas. São inúmeras as causas explicativas para o cenário desalentador que domina o cotidiano de citadinos e camponeses. Da produção agrícola assentada no emprego de técnicas e insumos hostis ao meio ambiente à emulação do consumo individual acrítico e exagerado, tudo gira em torno da satisfação das necessidades do capital.

Nas últimas décadas, os sistemas agroalimentares se alteraram profundamente no Brasil e no mundo, com o crescimento das cidades e novas relações entre a produção e o consumo. No Brasil, o Estado atuou por meio de Centrais de Abastecimento (CEASAs), silos e armazéns, entre outros equipamentos para auxiliar na distribuição de alimentos em diferentes partes do país. Porém, o setor privado também passou a desempenhar um importante papel, por meio dos supermercados e suas estruturas de logística. A liderança desse equipamento varejista se sustenta na diversidade de mercadorias postas para a venda, muito além de alimentos e produtos de higiene e limpeza. Os supermercados atualmente preenchem adequadamente qualquer tipo de necessidade que o consumidor revele, sejam elas originadas no estômago, sejam expressões do desejo, da fantasia, etc.

Os efeitos dessas mudanças também acarretaram problemas como a concentração de redes de varejo, além de dificuldades de pequenos produtores acessarem esses mercados. Ademais, ocorreram profundas mudanças pelo lado do consumo com a busca de uma maior diversidade de mercadorias alimentares, produtos frescos, locais, saudáveis, artesanais, de indicação Geográfica, numa reação ao padrão de consumo vigente, assentado em comida que imita comida.

Esses produtos nem sempre são acessíveis para a grande parte da população, estando restritos a nichos de mercados, pois, a baixa renda da população, a concentração dos mercados e a pouca estrutura de pequenos agricultores em alcançarem os mercados dificulta essa conexão de produção e consumo.

Não obstante esse quadro, existem e se fortalecem alternativas de abastecimento, tais como as cadeias agroalimentares curtas, produtos diferenciados, organização dos consumidores em grupos de consumo, uso de ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação entre outras que podem conviver com o sistema tradicional de abastecimento sendo uma opção para muitos consumidores e agricultores e que podem, se devidamente impulsionadas, contemplarem a demanda por alimentos seguros e saudáveis por uma faixa mais ampla da população.

A Rede de Pesquisadores em Abastecimento Alimentar, Comercialização e Consumo pretende ser um espaço de investigação sobre esses processos, abordando-os de forma crítica, sistêmica e interdisciplinar.

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